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Introdução alimentar: o que os pais precisam saber

Toda mãe já sentiu aquele aperto no peito ao se dar conta da velocidade acelerada em que os filhos crescem. Assim como em tudo na vida, o desenvolvimento infantil é permeado por fases. Naturalmente, chega a hora em que o leite materno ou a fórmula infantil dão lugar a outros alimentos. Começa então a esperada e às vezes desafiadora, introdução alimentar.

Nesse momento, sentir-se insegura é totalmente compreensível. Como em toda nova fase, é comum que no caminho surjam dúvidas sobre o que fazer, como e por onde começar. Se esse é seu caso, saiba que você não está sozinha.

Convidamos a nutricionista materno infantil Camila Garcia, do @nutri.infantil para um bate papo sobre o tema.

É o momento de criar bons hábitos alimentares

A introdução alimentar vai mais ou menos dos 6 aos 12 meses e tem que ser entendida pelos pais como uma fase de aprendizado. Mais importante do que alimentar o bebê, é ensiná-lo a comer. Isso vai fazer toda a diferença nos hábitos alimentares que ele levará ao longo da vida. Além do mais queremos ver nossos filhos se alimentando de forma saudável e nutritiva.

Até 1 ano a principal fonte de nutrientes do bebê é o leite, seja materno ou fórmula infantil. O mais importante é ensinar seu filho a comer e desenvolver hábitos alimentares saudáveis que o acompanharão ao longo da vida.

Não que seja impossível mudar os hábitos alimentares depois, mas vai ser muito mais difícil e vai exigir muito mais da criança e dos pais. Na idade adulta é muito mais penoso mudar um hábito que adquirimos, seja alimentar ou comportamental: “Eu costumo dizer que o paladar do bebê é uma página em branco e são os pais quem irão escrever.”

Criança aprende tudo mais fácil e rápido, é uma fase de desenvolvimento incrível. É como aprender um novo idioma, quanto mais novos somos, mais fácil.

Papinha liquidificada é nutritiva?

O momento de iniciar o desmame do bebê e passar a oferecer outros alimentos além do leite é um período que gera muitas dúvidas sobre como oferecer os novos alimentos. Afinal, até então o único alimento que o bebê ingeriu foi o leite materno ou fórmula infantil, o resto é tudo novidade.

É nesse ponto que cometemos um dos maiores erros da introdução alimentar, que são as famosas papinhas liquidificadas. Quando oferecemos tudo batido e misturado, por mais que sejam alimentos nutritivos, o bebê não consegue distinguir os diferentes sabores e texturas porque tem tudo a mesma consistência e o mesmo sabor. O bebê não aprende a tomar decisões e não desenvolve o paladar.

Com a papinha ele pode até comer de tudo, mas não vai aprender nada. Por mais que coloquemos apenas alimentos nutritivos, ricos em micronutrientes essenciais para o bom desenvolvimento da criança, fica tudo com um gosto só: de papinha. Geralmente o sabor predominante é o do alimento mais forte, não tem aroma e nem textura, além do mais o bebê não treina a mastigação, que também é importantíssima na introdução alimentar. Atualmente a maioria das papinhas industrializadas possui ingredientes de qualidade (sempre leia o rótulo para se informar). Claro que isso é positivo, mas ainda assim são papinhas e caímos no mesmo erro.

Como oferecer os alimentos?

Se não pode misturar nem bater os alimentos, você deve estar se perguntando como dar comida para o bebê. Ofereça os alimentos individualmente, em pedaços pequenos, ou amassados com um garfo, depende do método que você escolher. Quando for oferecer arroz e feijão em uma refeição, por exemplo, não misture os dois. Ofereça o arroz e o feijão separadamente para o bebê conhecer o sabor e a textura de cada um.

A introdução alimentar é uma fase de aprendizado, por isso é importante apresentar os alimentos individualmente e sem sal, use apenas temperos naturais como alho, cebola, salsinha, manjericão, orégano e outros, ou não use tempero nenhum. É importante que o bebê conheça o sabor e textura de cada alimento individualmente para ir se familiarizando com cada um e desenvolver seu paladar. Fazer a introdução alimentar da maneira correta, oferecendo os alimentos individualmente e não em papinhas liquidificadas, dá muito mais trabalho.

Quando estiver se questionando se realmente vale a pena todo esse sacrifício ao invés de simplesmente oferecer as papinhas liquidificadas, pense nos benefícios que seu filho vai ter para o resto da vida. Daqui alguns anos, quando você vir seu filho comendo de tudo, com uma alimentação saudável e balanceada, você vai olhar para trás com orgulho e a certeza de que o esforço valeu a pena.

Meu filho não quer comer. E agora?

É como aprender a andar. A criança não levanta do nada e sai correndo pela casa do dia para a noite. Acontece aos pouquinhos, primeiro aprende a engatinhar, depois a ficar em pé, dá o primeiro passo, cai, levanta, tenta de novo e assim vai. Há um processo de aprendizado que precisa ser respeitado.

Mas aí vem aquela dúvida: “Meu filho não está comendo nada, não aceita os alimentos que ofereço, será que ele está passando fome?” É nessa hora que os pais se desesperam e apelam para praticamente qualquer coisa que o bebê aceite. Preferem dar papinha bem liquidificada para ficar com a consistência mais parecida com o leite e facilitar a aceitação.

Oferecem também sucos, afinal suco é líquido como o leite e o bebê vai aceitar melhor. Porém o suco também não é recomendado antes de 1 ano por conter uma quantidade muito alta de frutose, que é o açúcar da fruta. Prefira dar a fruta in natura que é muito mais saborosa e nutritiva, tem muito mais fibras e micronutrientes que o suco.

Voltando ao ponto de o bebê estar passando fome por não ter aceitado os alimentos oferecidos, não se preocupe com isso. Ele não está passando fome! Se ele estivesse com fome ele comeria. Você acabou de oferecer comida e ele não quis, respeite seu filho. No início ele vai comer pouquinho mesmo ou não vai comer nada. É tudo novidade, novas cores, sabores, texturas, aromas.

Lembre-se sempre que até 1 ano a principal fonte de nutrientes é o leite. Além disso, o estômago dele é bem pequenininho, cabe pouca coisa mesmo. Se seu filho está ganhando peso normalmente, está dentro da curva esperada de crescimento e ganho de peso, não há com o que se preocupar.

 

Camila Garcia é formada em nutrição pela PUC-Campinas e pós-graduada em saúde e nutrição infantil pela Unifesp.

Acredita no poder da alimentação infantil como essência de um mundo mais leve e saudável. É mãe da Júlia, nutricionista materno infantil e escritora do ebook sobre Introdução Alimentar.

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